sábado, 28 de dezembro de 2013

Dose diária 28 12 2013



O ano que ainda não existe

Ao espalhar as fotografias do ano sobre a mesa, a fotógrafa Iana Soares brincas com ventos, borboletas, tristezas, flores, futuros e sorrisos
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Em qualquer passado há um tanto de futuros que não couberam nos limites daquilo que arriscamos chamar de vida. Antes de aprender a respirar, vamos meio cambaleantes dando palpites sobre os dias que ainda não vieram. Há quem viva mais de expectativas, do que de invenções. Nestes últimos grãos do ano, são fartos os desejos de tudo que ainda não aconteceu.

Se o instante que agora observo parece escapar feito vento, como posso prender em expectativas o segundo seguinte, que nem sei se existirá? A fotografia é uma companheira maluca e generosa nas formas de ensinar. Durante o clique, acreditamos guardar um tanto de realidade, como quem coleciona borboletas em uma garrafa. Mas o vidro não resiste às asas, que desenham no ar, e no retrato, um território inédito.

Em 2013, aprendi novas tristezas. Fiz a foto mais azul desta página algumas horas antes de saber que um amigo virou pássaro, depois da queda. Um clichê bobo como “a vida é só uma”, às vezes nos atravessa sem sutileza. Rasga. Porque a vida é mesmo só uma. Para os amores, os amigos, as ruas, os bichos, as histórias.

Não sei como será o ano que ainda não existe. Aprendo com o menino do Trussu, pequeno açude de Iguatu – um lugar que ensina respirar – a mergulhar sem medo das águas. Não quero as mágoas dos dias que não existem mais.

Arrisco sorrisos desconhecidos e aprendo a brincar com a fotografia. A imagem é gaiata e joga com os desejos, sem preocupações de futuro ou passado. Assim como os dias. Entre os nossos dedos, perguntas, mais do que respostas.
 
(Com carinho para André Salgado, em memória)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Dose diária 27 12 2013

Senhores do vento. Pegue sua dose suposta de ar, não quero o peito prezo, com a verdadeira falta de ar, próximo ou depois do beijo, na lembrança esquecida.

Quero a falta de ar depois da felação.

Sem que meus erros de português sejam corrigidos pela internet ou olhos invejosos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Dose diária 25 12 2013


Quero lembrar disso:

Um símbolo sexual da mulher é o salto-alto. Não sei porque, mas já vi um programa na FX em que homens pagavam pras mulheres esmagarem seus sacos escrotais com a ponta do salto. Eram asiáticos. Mas esses sapatos que você vai ver são bem diferentes e um até serve como soco inglês turbinado. Eles foram feitos pelo chileno Sebastian Errazuris. Ele se baseou em suas ex-namoradas pra criar cada um, e conta uma parte da história delas pra entendermos o sentido dessas melissas com maconha. Veja algumas fotos do catálogo de saltos dele.


Jessica, a viajante

Jessica agarrou minha perna por de baixo da mesa do restaurante. Ela parecia ser gostosa. "Você sabe que meu pai tem um avião, e ele nunca usa ele", ela disse quase sussurrando. O pai dela é um homem importante, eu tinha certeza que a família dela tinha vários aviões. "Eu já disse pra você que temos uma casa em Paris vazia que poderia ser perfeita pra ser seu estúdio?". Jessica voltou do banheiro e eu já tinha pago a conta.

"Podemos dormir na sua casa hoje? Perdi as chaves do meu apartamento" "Mas você não é filha do dono do edifício????" fiquei em silêncio no táxi. Quanto mais ela tentava me convencer que seria muito bom viver com ela, mais eu me desinteressava. Quando chegamos no meu pequeno apartamento, recuperei minha dignidade. "Desculpa Jessica, não podemos transar" eu disse, me sentindo estúpido. "Você pode dormir na minha cama, mas nada vai acontecer". Jessica ficou acordada boa parte da noite. Ignorei ela e fingi que estava dormindo. De manhã ela saiu e foi embora em um carro de luxo preto.



Natasha, a doce.

Natasha tirou sua jaqueta e se apoiou com os joelhos na cama. "Sebastian, fiz BISCOITOS pra você". Ela tirou sua camiseta. "Como está a sua perna?" "Ainda dói um pouco", respondi, fingindo dor. "Será que eu posso fazer alguma coisa?" disse ela de um pé só enquanto tirava a calça.

Ela tinha um corpo muito louco. Transamos. Ela cozinhava. Ela limpava. Quando eu dormia ela deixava um BISCOITO preparado por ela na cama. Nunca encontrei uma mulher tão satisfeita em cuidar de um cara. Logo que eu me recuperei, terminei com ela. Eu não ia conseguir viver sendo tratado tão bem.








Alexandra, a chorona

Alexandra apareceu na minha porta chorando. Estava chovendo. Ela, ensopada e tremendo. "Posso dormir com você hoje?", depois ela resmungou algo sobre ter terminado com o "imbecil do namorado" dela, e foi tomar um banho quente enquanto eu fazia uma sopa.

Depois do banho ela parecia feliz de novo. Ela olhou pra cima  pensativa e depois pulou em mim, me beijando, depois me mordendo, até que transamos. Depois ela chorou de novo pelo namorado imbecil dela que acabou me beneficiando. Ela chorou e eu comecei a dizer que tudo ia ficar bem, me sentindo estranho de estar na cama com uma mulher chorando por outro cara. No escuro, Alexandra continuou chorando e mandando mensagens pro ex a noite toda. Até tentei transar de novo, mas agora ela só estava pensando no "imbecil do namorado" dela.





Alison, a caçadora de ouro

Parei meu carro velho do lado do carro dela, que estava estacionado em sua casa. Assim que parei, Alison saiu da casa. "Meu chefe estava rindo dizendo como é engraçado o fato de que artistas sempre têm carros velhos"

Alison trabalhava num canal de televisão. Ela sempre estava bonita e a câmera a amava. Aparentemente, o chefe dela também.

Ela agarrou minha bunda e disse "vem pra cama, meu pobre e faminto artista".

Fui pra cama puto. Transamos pra valer e por bastante tempo. Eu nem estava curtindo, só queria provar pra mim mesmo na cama tudo o que eu não conseguia comprar.

"Amor, todas as minhas amigas vão pra uma viagem pro Brasil bancadas pelos seus namorados"

"Você sabe que não posso pagar isso agora, espera um pouco que eu prometo, te levarei". Ela não quis esperar. Aparentemente, o chefe dela também não.



Sophie, a rainha do gelo

Quando Sophie desceu a rua me senti uma criança. Ela era tão grande que na cama, pra eu pegar na bunda dela eu tinha que esticar meus braços. Na primeira vez que transamos ela ficou deitada sem se mexer. Ela praticamente não falava. Eu tentei mesmo ser o homem que as pessoas pensavam que eu não era na cama quando me viam ao lado dela, de tão fria que ela era. De vez em quando conseguia esquentar ela, mas nunca o suficiente.



Laura, a arrasa corações

"Peitos siliconados ou naturais?" perguntou um dos meus amigos numa mesa de bar. "Com silicone!", disse um. "Naturais são bem melhores, poxa", disse outro. "Os dois", eu disse.  Acharam que eu não tinha coragem de escolher. "Bom, eu namorei uma moça que tinha um peito siliconado e o outro natur..."

Os cérebros dos meus amigos explodiram, ou tudo indicou que isso aconteceu. Logo expliquei: "Quando ela era pequena, um dos peitos dela não desenvolveu, então tiveram que colocar silicone apenas em um pra igualar com o natural". Eles continuaram olhando perplexos.

"Eu nem notei no início porque eu pegava sempre no seio esquerdo e com a outra mão segurava sua bunda..."

"O melhor dos dois mundos" sussurrou um amigo meu. 

"E...?" todos disseram, com grande expectativa.

"Ela quebrou meu coração. Está casada e com filhos"

"E...?????"

"Tá, ok, gostei mais do siliconado"




Barbara, a guerreira

O pai da Barbara abriu a porta vestindo seu uniforme militar. "Boa noite senhor, estou aqui pra pegar a Barbara". Ele me olhou enquanto eu brincava nervoso com a chave do carro do meu pai. O cara tinha uma política de "nenhum garoto entra em casa". Quando estávamos entrando no carro, ela disse baixinho "não estou de calcinha".

As luzes de um carro de polícia iluminaram todo o lugar escuro onde estávamos transando. Disse pra ela colocar as roupas enquanto eu pisava no acelerador e abaixava a janela. Quase bati nos policiais tentando escapar, mas não foi difícil pra eu ser parado. 

Fui tirado do carro pelado com uma metralhadora apontada pra mim. O policial olhou maliciosamente pra Barbara que tentou cobrir os peitos dela com as mãos e pediu pra ele não olhar. Ela conseguiu convencer os policiais a ligar pro pai dela, e ele usou o fato de que é general pra livrar a gente da prisão.

Com medo do que o pai dele faria comigo, decidi corajosamente me esconder dele por uns tempos.

Estou me escondendo até hoje...




Caroline, a puta gostosa

"É uma bela cor, senhor Errazuriz". Caroline sorriu, enquanto acariciava a gravata do meu pai no casamento do meu primo. "Deixa a gravata dele em paz" eu pensei. "Você não sabe que brincar com a gravata de um homem é igual brincar com seu pinto?"

Caroline era uma gostosona em um vestido vermelho e minúsculo, dançando como se isso fosse pagar sua faculdade. Eu podia ver o olhar de desaprovação das mulheres, mas em relação aos homens que estavam encantados. Nós deixamos a mesa no meio do jantar pra ir transar no jardim. Quando voltamos, parecia que estava escrito na minha testa "Nós transamos". Todos olhavam pra nós com ódio.

Nos sentindo desconfortáveis, bebemos até não nos importarmos mais. Eis que caímos no meio da pista de dança bêbados em meio a um show de dança da Caroline. Meu terno rasgou e o vestido dela perdeu uma alça, e todos vieram pra nos envergonhar.

Pelo o que eu saiba, ela me traiu, assim como traiu todos os homens com quem esteve.

As mulheres chamavam ela de "puta gostosa". Mas na verdade, os homens eram as putas dela.



Ana, a virgem

Quando paramos de transar, disse pra ela "Foi bom, né?"

Ela ligou o chuveiro e disse normalmente: "Ah, não sei, foi minha primeira vez". Eu posso até jurar que ouvi ela rezando uma Ave Maria bem baixinho no chuveiro. Depois fiquei sabendo que ela queria se tornar uma freira. Tudo bem que não fui lá essas coisas nessa transa, mas virar uma freira depois dela? Um pouco drástico.





Rachel, a chefe

Era sempre estranho transar com a Rachel. Eu nunca sabia quando que eu tinha que dar ou tomar a liderança. Era como brincar com uma bomba que você não sabia como desarmar e nem quando ia explodir. Ela era uma feminista extrema, mas na cama fingia ser uma pequena garota, fazia strip tease e pedia pra apanhar. No dia seguinte eu poderia comprar flores pra ela e ouviria um discurso de uma hora de como é machista comprar flores pra mulheres. Você nunca sabia o que esperar.

Então, um dia, depois duma transa na casa dela, ela vestiu minha cueca. Eu podia escolher entre vestir a calcinha dela ou ir pra casa pegar outra cueca e ficar em segurança. A última vez que a vi, estava um pouco submissa, pediu pra eu bater nela, mas só um pouco. Porém cometido um erro: Bati nela com um pouquinho mais de força do que o certo naquele dia, segundo ela. Fui mordido tão forte que quase caí no chão.



Valentina, a fantasma

Ela era uma das garotas locais de uma pequena cidade litorânea. Ela era bonita de uma maneira selvagem e estranha, até, quase como uma criança perdida que viveu por um tempo na floresta. Podíamos nos ver todo dia na praia e não trocar uma palavra.

Um dia ela apareceu no meu quarto de hotel do nada e passou a noite comigo. Foi quase elétrico. É difícil acreditar, mas enquanto fazíamos sexo, o cabelo dela parecia estar maluco, como quando criamos estática numa bexiga e passamos ela perto do cabelo.

Aparentemente, Valentina adorava o jeito que o cabelo dela ficava depois do sexo, então ela continuou me visitando durante o verão. Eu nunca sabia de onde ela vinha e pra onde ela tinha que ir depois. Ela simplesmente entrava e saía flutuando livremente com uma aura estranha, parecia que ela estava com você e em outro lugar ao mesmo tempo.

Numa noite decidi que ia manter ela lá, comigo. No fim do verão eu fiz ela prometer que iria me visitar, mas ela nunca o fez. Voltei pra mesma praia no outro verão pra procurá-la, mas ela não estava. Muitos anos depois eu a vi. Ela parecia mais velha, porém, com a beleza de sempre. Ela virou pra mim segurando uma criança com o mesmo cabelo maluco. Amei ela um pouco.





Alice, a pedra


Alice sabia que ficaríamos juntos bem antes de eu saber. Ela também sabia que iríamos terminar enquanto eu preferia acreditar no contrário. Nenhum de nós dois sabia que iríamos ficar tão pouco tempo juntos. Eu amei muito ela. Sempre vou amar.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dose diária 24 12 2013


Não confundir Destino com aquilo que “está escrito”, Destino, na minha visão, é o caminho que tomamos através das nossas escolhas, pois sentimos que devemos caminhar por ali, viver o presente e não buscar adivinhar o futuro, traçar e não trapacear.
"A moderna psicologia atribui diversos nomes à eterna questão de "ser aquilo que se é realmente" - o processo de individualização, a auto-realização, auto-atualização, autodesenvolvimento, etc. Seja qual for o rótulo que receba, o sentido oculto está claro: todos nós possuímos certos potenciais e capacidades intrínsecas. O que há a mais, em algum lugar dentro de nós, é o conhecimento primordial ou uma percepção pré-consciente de nossa verdadeira natureza, de nosso destino, de nossas habilidade e de nossa assim chamada vida. Não é só aquilo que temos de passar na vida, mas, num nível instintivo, aquilo que sabemos que a vida é.
Nossa realização, felicidade e bem-estar dependem de descobrirmos este modelo e de cooperarmos com a sua realização. O filósofo dinamarquês Kierkegaard observou que a forma mais comum de desespero é aquela de não sermos aquilo que realmente somos, acrescentando que uma forma mais profunda de desespero aparece quando se escolhe ser outro que não nós mesmo. O psicólogo Rollo May escreveu: “Quando a pessoa nega suas potencialidades e falha em realizá-las, sua condição é de culpa”. Teólogos interpretam o quarto pecado capital, a preguiça ou accidia, como “o pecado de falhar ao fazer de nossa vida aquilo que sabemos que poderíamos fazer dela”. Mas, como podemos nos ligar com a parte de nós mesmos que sabe o que poderíamos ser? Como podemos encontrar novamente a senda, quando já perdemos o caminho? Existe algum mapa capaz de nos guiar de volta a nós mesmos?
A Carta astrológica natal é este mapa. A fotografia do céu, como este se achava no lugar e na hora do nascimento, retrata simbolicamente a nossa única realidade, o nosso modelo inato e o nosso desígnio interior. O conhecimento dessa carta nos habilita a perceber aquilo que deveríamos estar fazendo naturalmente, se não tivéssemos sido frustados pela família, pela sociedade e talvez mais crucialmente, pela ambivalência de nossa própria natureza.
HOWARD SASPORTAS
Parte da introdução de “As Doze Casas”.
Para caminhar meu Destino precisarei de um mapa. Meu itinerário será traçado pelos astros.

Fonte: http://aviagemdoheroi.tumblr.com/

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dose diária 20 12 2014

-  É so depois que vc se acostuma com sucessivas derrotas que vem as vitórias?
- Não. É so depois de várias derrotas, que você chega em vitórias.
- Quem se acostuma com derrotas nunca vence.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Dose diária 19 12 2013 - 2

(Porquê)A vida é feita de tentativas.

- Berlim.
- Reino Unido.
- Uruguai.
- Brasil.

Dose diária 19 12 2013

Em algum momento, não se sabe porquê, se deixaram de falar. E sem saber o motivo ao certo, naturalmente parecia o que devia acontecer.

Coração em paz, em paz com(o) tambores ancestrais.

"... tum tum tum, pá, tum tum tum, pá pá, tum tum tum, pá, tum tum tum tum, pá..."

Se a escrita soubesse cantar....


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dose diária 18 12 2013

Derrotas são coisas normais.

Eu sei disso, mas to cansando de tantas derrotas consecutivas, o ano acaba e de certa forma dou graças a deus por isso, pois, cansado de tantas decepções nele.

Hoje meus dois filme, Afetos e O centro invisível não entraram na mostra Tiradentes, afetos já venho lutando com ele desde do começo do ano e o invisivel foi sua primeira recusa, é estranho ter ganhado tantos editais de cultura mas não ter filmes em festivais, sinto que preciso sim aprender a fazer filmes, agora mais que nunca.

Cuba e a EICTV têm que ser essa marco em minha vida. Acho mesmo que voltarei de lá com essa parte que me falta.

Não desanimar, não desanimar... têm uma hora que o talento pode ser reconhecido.  Não sei se tenho talento, creio que tenho, mas é ruim ter algo e não ser reconhecido,  ainda mais em Fortaleza, sua cidade, ter talento, competência vontade de fazer e aprender não é o que importa muitas vezes.

Lutar, lutar e lutar, quero manter a humildade, a simplicidade e a vontade de continuar trabalhando com cinema de documentário, porque gosto, me faz feliz, e hoje acredito no meu talento, um dia quem sabe mais pessoas podem acreditar.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Dose diária 15 12 2013 - 2



Cheguei a ir muito na Catedral para o rituais que ela acolhia, é fato que ela é mau desenhada, não tinha uma acústica boa e talvez por ter demorado tanto para ser construída não tem estilo (gótica, barroca, moderna?), meu olhar andava viciado pela rotina que tinha impregnado nela o que me fez pensar que seu entorno e ela carecia de beleza, um dia andando na Vila das Artes vi essa foto em um cartaz, passei a olhar melhor a Catedral. Hoje em minhas pesquisas sobre ela, algumas coisas se encaixam e me fazem mais sentido, onde tudo começou, o conflito e o interesso por um olhar estético nela, nessa fotografia.

Dose diária 15 12 2013

Quem reclama que a cidade anda cinza podia começar fazendo sua casa ser bem verde.









Sonhei acordado que teria uma casa, um sitio, uma chácara, com bem muito verde.

Espaço para plantar.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Dose diária 14 12 2013

Sonhos são feitos aos poucos, com cuidado, sonhos têm que ser difíceis, preparados. Têm?

Digamos que sim. Meus sonhos são a longo prazo e vou começar o caminho para eles hoje.

Andando de bicicleta pela cidade.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dose diária 11 12 2013

Lembro de quando criança desenhar mapas imaginários atrás das portas brancas dos apartamentos que morávamos.

Hoje isso ainda acontece nos cantos de cadernos que vou guardando e nos vídeos que faço.

Cartografias. Meus documentários são isso.

Hoje vendo essa foto do Suricate Seboso me lembrei de tudo isso.

Oh época boa que bastava a imaginação para viajar para onde queria. Os meus safáreis eram quando chovia e a água que escorria pela pista para os bueiros fazia um rio imaginário.

Boa época que bastava a imaginação, agora o que me espera é os passos dados num chão concreto, vontade de viajar com imaginação.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dose diária 09 12 2013 - 2

Para quem espera viver, a vida se torna uma eterna esquina a se dobrar. Não se sabe o que o muro esconde, se contenta com o tráfico louco de uma pista cinza.

Não existe receita para um dia perdido. Mas sempre se tem um outro pronto para ser qualquer coisa que você deseja.

Dose diária 09 12 2013


Quero lembrar disso:
08/12/2013 - 03h42

Filmes restaurados mostram o desbunde de Agnès Varda


SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Lá pelo meio de "Lions Love", a cineasta pergunta se a arte deve imitar, deformar ou exagerar a realidade. No caso de Agnès Varda, a resposta pende para um exagero realista, em especial no filme de 1969 que ela rodou em Los Angeles e acaba de ser restaurado junto de grande parte de sua filmografia californiana.
Varda, belga que se radicou em Paris e explodiu na cena cinematográfica no auge da nouvelle vague com "Cléo das 5 às 7", em 1962, passou duas temporadas vivendo em Hollywood -no fim dos anos 1960 e no início da década de 1980, vendo de perto a contracultura hippie e, depois, testemunhando o surgimento da arte de rua.
Num esforço do Museu de Arte do Condado de Los Angeles para resgatar o encontro inusitado entre a vanguarda francesa e a Califórnia, essas raridades vêm à tona cinco anos depois do último filme da autora, "As Praias de Agnès", que acabou de ser lançado em DVD no Brasil.
Divulgação
Da esq. à dir., James Rado, Viva, que aparece deitada, a cineasta Agnès Varda, ao fundo, e Gerome Ragni em 'Lions Love'
Da esq. à dir., James Rado, Viva, que aparece deitada, a cineasta Agnès Varda, ao fundo, e Gerome Ragni em 'Lions Love'
Mas o que emerge agora para além do que se conhecia de seus filmes é certo desbunde visual que ela experimentou nos Estados Unidos, como se as cores berrantes dos muros grafitados, as praias iridescentes e o calor da briga por direitos civis turbinassem a estrutura nada convencional de sua obra.
"Lions Love", que está no centro de uma retrospectiva da artista agora em cartaz no museu norte-americano, ilustra muito bem essa transição.
"É um filme expressivo dessa época, que resume a experiência californiana na virada de 1968 para 1969", diz Varda, 85, em entrevista à Folha. "A contracultura então no auge se centrava em revolução sexual e luta política."
Nos filmes que fez por lá, essa revolução se traduz em penteados extravagantes, música e joias. "Quando cheguei à Califórnia, foi um choque ", lembra Varda. "Mergulhei no espírito de revolta."
Em "Lions Love", Varda escala Viva, uma das maiores subcelebridades lançadas por Andy Warhol, e os -belos- autores do musical "Hair", que estreara em 1967, numa trama psicodélica, que misturava ficção e realidade.
Entre banhos pelados na piscina, orgias eventuais e diálogos desconexos, os personagens vão traçando um painel político e cultural da época, vivendo num eterno "ménage à trois" com pausas para discutir os assassinatos de Martin Luther King Jr. e do senador Robert Kennedy, além de um atentado contra Andy Warhol, todos em 1968.
Naquele ano, o artista pop, que Varda chegou a conhecer, foi alvejado por sete tiros disparados por uma das frequentadoras da Factory, seu antigo ateliê em Manhattan, mas sobreviveu e morreria só após uma cirurgia em 1987.
TEXTURA DOCUMENTAL
Fora seu flerte com a estridência do pop e a cultura psicodélica, Varda gravou em Oakland, nos arredores de Los Angeles, um curta sobre os Panteras Negras, grupo alinhado à esquerda revolucionária que brigava pela garantia dos direitos dos negros.
É seu momento mais militante e agressivo na incursão californiana. Há ainda um retrato cinematográfico que fez de um tio distante que se radicou num bairro de casas flutuantes em Sausalito, que chamam de "subúrbio aquático", e um filme sobre as paredes grafitadas da cidade.
"Minha obra tem uma textura de documentário, embora seja quase toda de ficção", diz Varda. "Sempre flertei com essa fronteira. Meu último filme, por exemplo, pode ser visto como uma narrativa da minha vida, mas é mais sobre como eu conto isso."